Jakob Tennstedt
VoltarNatural de Berlim, Jakob percorreu um longo caminho antes de encontrar o seu lugar. Após passagens por grandes vinícolas na Áustria, Itália, França e pelo próprio Mosel, foi em um vale escondido e praticamente intocado, o Kautenbachtal, no coração do Médio Mosel, que encontrou não apenas o terroir ideal, mas também a possibilidade de dar forma a uma visão profundamente pessoal de vinho.
Seus vinhedos, Ungsberg e Hühnerberg, estão isolados em meio à floresta, em um cenário quase suspenso no tempo. Vinhas antigas, muitas delas sem enxerto, crescem sobre solos de ardósia azul-cinza, em um microclima único marcado por noites frias e dias que podem alcançar temperaturas surpreendentemente quentes. É um ambiente de natureza viva, diversa e indomada — e é exatamente essa pureza que Jakob busca preservar.
O trabalho é inteiramente manual, guiado por princípios orgânicos e biodinâmicos, mas sobretudo por observação, sensibilidade e respeito absoluto ao ritmo natural. No vinhedo, Jakob cultiva não apenas uvas, mas um ecossistema: flores silvestres, ervas, insetos e vida coexistem em harmonia, refletindo uma filosofia onde o vinho nasce como parte de um todo maior.
Na adega, sua abordagem é igualmente radical em sua simplicidade. Sem aditivos, sem intervenções desnecessárias, sem pressa. As fermentações são longas, muitas vezes durando meses, ou até mais de um ano, em grandes barricas tradicionais de madeira. Os vinhos amadurecem pelo tempo que for necessário, sendo engarrafados apenas quando atingem seu equilíbrio natural, sem filtração, sem colagem e, muitas vezes, sem adição de sulfitos.
O resultado são vinhos que desafiam qualquer expectativa clássica do Mosel. Profundos, texturais, por vezes enigmáticos, mas sempre dotados de uma harmonia impressionante. Vinhos que não buscam agradar, mas sim expressar. Há neles uma força silenciosa, uma energia contida e uma autenticidade rara, que os aproxima mais de uma experiência sensorial e emocional do que de uma simples degustação.
Jakob Tennstedt não segue tendências, não responde a movimentos e tampouco busca chamar atenção. Seu trabalho é introspectivo, quase meditativo. Produzindo pouco mais de 1 hectare de vinhas antigas, ele trilha um caminho próprio, e é justamente essa independência, essa convicção e essa profundidade que fazem de seus vinhos algo verdadeiramente especial.




